Os tesouros revelados...cheiros, sons e cores

    Publicado por:  Dayanne Fabrili Gomes de O. Adams Evangelista

Uma das intencionalidades pedagógicas do CMEI é desenvolver nas crianças uma cultura de alimentação saudável, cuja proposta faz parte do currículo institucional e da Secretaria Municipal de Educação.

Há de se convir que dados os índices de obesidade e diabetes em crianças no Brasil e no mundo, faz-se necessário uma nova cultura para a vida, cabendo nela a temática de uma alimentação saudável.

Pressuposto isto, a professora Marleide do Pré IIA escolheu planejar sobre a temática para o trabalho com as crianças de sua turma. Respeitando o eixo da brincadeira que permeou todo o processo e as interações que qualificaram o mesmo, as práticas escohidas foram: músicas, histórias, culinária, brincadeiras, conversas, apresentação do cardápio do CMEI, entre outras, onde, acolhendo e ouvindo os saberes das crianças, estes foram transformados paulatinamente em conhecimentos mais sólidos e sedimentados.

O cardápio do CMEI foi apresentado para as crianças, analisado, discutido..,. conhecido. Ainda brincaram com quebra cabeças de frutas, fizeram roda de conversa e outras tantas atividades. Mas, diante de todas as propostas, uma que elas mais gostaram foi a visita à frutaria ao lado do CMEI! Como não encher os olhos diante de tantos cheiros, cores e texturas! Elas se deliciaram... tanto com os olhos quanto com os cheiros e texturas... e muitas se encantaram com algumas frutas que não conheciam. A atividade foi de encantamento, susto, objeção: Como o abacaxi é tão espinhoso! Por que a pimenta é forte, mas o cheiro não? Por que a mandioca está na água? Como o limão é lisinho! Como a melancia é pesada! Tantos conhecimentos predispostos, tantas hipóteses, tantas revelações, quantas inquietações!

Ali na frutaria, no tesouro descoberto ao lado do CMEI,  viram, pegaram, tocaram, cheiraram, apreciaram...e como esta proposta lúdica foi importante! Num mundo invertido de valores onde filmamos o real para ver no virtual, tiramos foto para ensinar sobre flores e animais que existem e crianças não sabem que o leite vem da vaca e quando descobrem levam um susto, as práticas qualificadas e planejadas se fazem necessárias.

É preciso religar as crianças à existência da natureza, pois como falar de alimentação saudável e sustentabilidade, ecologia pessoal, para uma criança que não a conhece? Citar que árvores, animais e água fazem parte da natureza é fácil e tradicional, mas é preciso se atentar para não criarmos seres sintéticos, desenvolvidos em laboratórios in loco, tão centralizados que é impossível de transpô-los.

As crianças precisam saber que os animais existem, que o leite vem da vaca, que a água vem do rio, que o papel vem da árvore, que a fruta verdadeira existe para além do suco de caixinha e ainda que, pasmem!  Ela não nasce na caixinha.

Numa sociedade em que a inteligência linguística e matemática se dão mais importantes do que as outras, apenas por paradigmas, do que está posto e não refletido, é urgente compreender que o que passa pelo corpo é gravado na memória e na alma, e é impossível sentir, cheirar, pesar... apenas com um lápis e papel na mão. A cinestesia desperta para o mundo, a anestesia paralisa, e tais práticas, como a simples ida das crianças de uma turma de pré para a frutaria torna possível religá-las ao mundo real, num desemperadamento que amplia horizontes e experiências, porque existe vida para além da sala, um universo a ser explorado. Há construção de conhecimento nas práticas, nas trocas e na brincadeira muito além da simples exposição de "conteúdo".

Que as experiências possam sempre ser vividas pelas crianças, e que o caminho seja sempre tão importante quanto a chegada.

 

 

Autor: Vila Osternack, CMEI | Fonte: Dayanne Fabrilli Adams Evangelista