Os segredos dos insetos

    Publicado por:  Karin Elizabeth Pidluznyj Novaes

  No desenvolvimento do Projeto Insetos, a turma do Pré II vê seus processos e curiosidades pautando descobertas. 


  “Nosso projeto têm os insetos como ferramenta para desenvolver esse apreço pela cotidianidade e valorizar as crianças como pesquisadoras” revelam as professoras envolvidas no fazer investigativo que vem sendo documentado de forma detalhada nas paredes da unidade do CMEI Caiuá Ilhéus. 


  O interesse pelos diferentes tipos de vida apareceu nas brincadeiras ente meninos e meninas, através do fascínio das crianças pelas pequenas coisas, nos mais variados ciclos de vida e fenômenos naturais revelados desde os maternais por meio da observação atenta dessa trajetória de atribuição de significados sobre a vida e sobre as coisas que é a educação infantil. E esse interesse vem sendo utilizado como fio condutor para as pesquisas e situações de aprendizagem das crianças, tal qual um laboratório de experiências pessoais sob as lentes da temática dos insetos.  


  A construção pedagógica envolveu o garimpo por bichinhos e contextos como Hotel da Mariana, organizado nos pneus do parque da unidade. “Esse é pra borboleta doente e esse é pra tatu bolinha. Se eles estiverem doentes, eles vão ficar nesse lugarzinho. Aqui tem areia marrom e areia clara” ela explica detalhadamente para a professora que a filma. “La no portão da escola, embaixo daquele tronco a gente já encontrou um monte de bicho.” Maria Gabriella descreve o local de maiores investigações. 


  Tão logo a professora traz para a sala o livro e o filme “Vida de Inseto”, e começa a sistematizar as observações da turma. Os passeios investigativos pelos nossos espaços começam a ter foco específico e as crianças a ter acesso a pesquisas com diferentes fontes, vídeos macro, trechos de documentários temáticos, representações bi e tridimensional, experimentações com suporte tecnológico envolvendo os materiais do Farol Móvel que nos auxiliaram a classificar e observar detalhes especiais. Organizamos um insetário com os achados já sem vida pelas crianças (pois combinamos de não sacrificar nenhum bichinho nesses processos, afinal um dos nossos objetivos envolve o respeito por todos os tipos de vida) e também descobrimos o conceito do Hotel de Insetos para polinizadores. 


  A medida em que as descobertas aconteciam, surgiam os registros gráficos constantes e as conversas especulativas/reflexivas que ainda alimentam diariamente nossa pauta, que legitima tais descobertas de forma que valoriza as dúvidas e observações das crianças, fazendo com que assim elas assumam seus papeis de pesquisadoras da vida. Nossas produções imagéticas como principais ferramentas de registros expressam sensações e potencializam narrações, enquanto a  documentação pedagógica encarrega-se de narrar essa trajetória de forma democrática para comunidade educativa e famílias, além de funcionar como principal ferramenta de avaliação a medida que alimenta-se das etapas do projeto ao mesmo tempo que nutre a construção das avaliações.


  Então assim continuamos: vivendo nossa cotidianidade e valorizando as sutilezas e os acasos que a rotina nos propõe, pois além de científico nosso projeto também se caracteriza por ser poético e memorável.


“Brincando, as crianças se introduzem em diferentes abordagens do conhecimento que mais tarde são nomeadas como ?ciências’.” (PEREIRA, 2013, p.60)
 

Para acompanhar nossa caminhada acesse: https://educacao.curitiba.pr.gov.br/noticias/a-investigacao-e-a-leitura-sensivel-das-miudezas/16787

Autor: Professora Jéssica Fernanda dos Santos | Fonte: CMEI CAIUÁ ILHÉUS