Encontro da Rede Municipal de Bibliotecas Escolares

    Publicado por:  Gizeli de Fátima Cordeiro Bento

Encontro da Rede Municipal de Bibliotecas Escolares

Assim como outras manifestações culturais, o campo da literatura depende de processos de divulgação e incentivos ao seu público, o que requer mecanismos para qualificar aqueles que são responsáveis pela curadoria literária. O encontro de profissionais da rede municipal visa promover a troca de experiências entre os participantes, proporcionando um espaço de aprendizado colaborativo. Além disso, planeja-se a participação de autores locais estimulando a valorização da cultura regional, fortalecendo os laços entre a comunidade escolar e os produtores literários da região.

O Encontro da Rede Municipal de Bibliotecas Escolares, com autores Paranaenses, ocorreu presencialmente no dia 01 de setembro na Biblioteca Pública do Paraná e contou com a presença das Agentes de Leitura das Bibliotecas Escolares e Faróis do Saber em Praça, Gestores da Informação das dez regionais, equipe da Gerência de Faróis do saber e Bibliotecas, os escritores e ilustradores do “Coletivo Era Uma Vez”.

 

“Cada palavra descortina um horizonte, cada frase anuncia outra estação. E os olhos, tomando das rédeas, abrem caminhos, entre linhas, para viagens do pensamento. O livro é passaporte, é bilhete de partida”

                                                                                                          Bartolomeu Campos de Queirós

 

Com esse pensamento iniciou-se a formação com a fala da Cristiane Aparecida Luquetta, da equipe de projetos da Gerência de Faróis do Saber e Bibliotecas.

 

“... o nosso encontro literário, onde o “era uma vez” ganha vida e o encanto da leitura nos une! É com alegria que promovemos este encontro a todos os profissionais que atuam nas Bibliotecas e Faróis do Saber. Temos realizado formações constantes ao longo de 2023, além de encontros nas regionais para fortalecer os vínculos e promover ações que ampliam e solidificam a leitura literária dentro das escolas. Hoje nos reunimos aqui como uma rede. E uma rede, cada elo é importante. As conexões que fazemos, as informações que trocamos com os pares e a singularidade de cada um/cada uma compõem a tecitura desta grande comunidade de leitores. Este é um encontro onde os mundos literários se entrelaçam e as bibliotecas são os portais que nos conduzem ao universo do “era uma vez”.”

 

            A chegada dos participantes foi marcada pelo encantamento dos personagens das histórias, que saíram das páginas dos livros para ganhar vida e transformar o ambiente em um lugar mais descontraído e repleto de magia.

            Foi apresentado o vídeo, que ilustrou um pouco do trabalho desenvolvido nas bibliotecas e Faróis. Após a apreciação, recebemos os autores do “Coletivo Era Uma Vez”, onde falaram sobre a suas trajetórias e obras. O coletivo é um grupo colaborativo de escritores e ilustradores de literatura infantil e juvenil, que produz em Curitiba para leitores de todas as partes. A missão desse grupo é contribuir para formar novos leitores e tornar a literatura infantil e juvenil mais visível e acessível, por meio da aproximação entre os autores locais e os leitores.

No período da manhã, contamos com a presença dos seguintes autores e ilustradores: Rosy Greca, Álvaro Posselt, Priscila Prado, Marilza Conceição e Adriana Barreta.

Rosy Greca é compositora, escritora, contadora de histórias, arte-educadora e produtora cultural. Tendo a música como eixo principal, atua nas áreas do teatro, da contação de histórias e da literatura infantil.

O seu livro “A arte de contar história com músicas”, fala sobre a iserção da música na contação de histórias e acompanha uma performance narrativo musical voltada ao público infanto juvenil. Se a contação de história encanta o público infanto juvenil, imagine realizar esta atividade lúdica combinada com música. Essa é a proposta do livro.

Álvaro Posselt nasceu e vive em Curitiba, em 1971. É professor de língua portuguesa revisor, escritor, poeta, profundo observador da vida cotidiana. Autor de nove livros, mais de 15 mil exemplares impressos e muitas atividades em escola, entre eles: Tão breve quanto o agora e Entre arranhões e lambidas ? haicais & gatos. Alguns de seus haicais foram escolhidos pelo projeto “Giz e aprendiz” (que revitaliza a cidade) e podem ser conferidos nos muros de centro da capital paranaense. É o poeta que reúne pessoas dos quatro cantos do mundo em sua casa. Risonho, irreverente, habilidoso, desvenda o mundo na forma de Haicai, domina as palavras com estilos diferentes: haiku japonês, Guilhermino, livre, clássico e senryu. Álvaro contribui para o evento formativo explicando: o que é Haicai?

            Priscila Prado é escritora e advogada. Foi finalista do Prêmio Jabuti 2013 com o livro intitulado ?Preguiça, coragem e outros bichos’ (Curitiba: edição própria, 2012). Além desse, já publicou outros quatro livros de poesia: ?A qualquer momento agora’ (Curitiba: edição própria, 2005), ?No olho do paradoxo’ (Curitiba: Insight, 2015), ?Alas, pétalas & labaredas (Curitiba: Coletivo Marianas, 2016) e ?Encontros desconcertantes’ (Curitiba: Insight, 2018). A escritora falou que seus livros são poemas. O livro “Uma rua de todas as cores” é uma narrativa livro inclusivo, alguns detalhes enfatizados no texto e nas ilustrações identificam a cidade de Curitiba, como a presença da capivara Jujuba. Além dela, o livro mostra a vida e o convívio da vizinhança em dias comuns, de sol, de chuva, de festa, em uma rua de gente como a gente. O pano de fundo traz valores como tolerância, fraternidade, paz, cooperação – de uma maneira divertida e agradável. Com tantos temas urgentes e relevantes a serem tratados em casa e na escola com a mediação de pais e professores, o livro tem o objetivo de promover diálogos e trazer assuntos vivenciados nos cotidianos das crianças.

            Em seu livro “Encontro Desconcertantes”, com 105 poemas e ilustrado com fotos da autora, o humor permeia a obra, ora nos próprios versos do poema, ora na ironia da foto que ele dialoga. Os poemas – e as fotos que acompanham – são um convite ao encontro com o mundo, o outro, o limite, o tempo, a poesia, a natureza e consigo mesmo.

            Marilza Conceição é escritora de literatura infantojuvenil, especialista em práticas pedagógicas para a Educação, compositora e contadora de histórias. A autora iniciou falando que as crianças são filósofas e citou uma frase que ouviu de uma criança:

“O mar é automático: ele vai e volta”.

            Seus livros são todos de suas vivências como mãe, professora e filha, procura sempre abordar temas como: imaginário, amizade, compartilhar, palavras e brinquedos.

           “Síbila” é um poema que desperta sentimentos como: alegria, amor, saudade, além do senso de cooperação e responsabilidade nas crianças. O poema conta a história de Sibila, a cobra de pano que mora no armário da sala de aula da escola. O texto ainda conta que, em alguns finais de semana, a mascote visita as casas dos alunos e torna¬-se um ser próximo do afeto da classe, despertando sentimentos de alegria, amor, saudade, entre outros. A inspiração para escrever surgiu da necessidade de ensinar a letra “S” aos estudantes em sala de aula.
          Em seu livro “O balé da chuva”, pessoas de diferentes idades já disseram que têm medo de raios e trovões. Essa história de amor, ajuda a entender tais fenômenos da natureza e a dissipar o medo. Com amor, a mãe apresentou informações que permitiram à filha compreender a razão por trás do alto estrondo. Da janela da cozinha, as duas testemunharam o balé gracioso que as gotas de água executavam no chão molhado, acompanhadas por uma orquestra muito especial. Mãe e filha compartilharam um momento mágico, enriquecido pelas histórias de raios e trovões, aromas e memórias.
         O livro “O ovo do bolo” Em uma emocionante viagem ao lado da personagem Mila, surge um enigma intrigante: qual ovo usar na receita do bolo de caneca? Determinada a desvendar esse mistério, Mila decide consultar seus amigos na floresta para descobrir o ovo perfeito para sua receita.

            Adriana Barretta Almeida estudou Letras e Artes Visuais, e foi na literatura infantil que encontrou o ponto de encontro dessas linguagens. Sempre habitou o universo da infância, que lhe permitiu muitos anos de alegria como professora e como mãe. É especialista em Literatura Infantil e Contação de Histórias, Arte e Cultura Visual e mestre em psicologia. Mas o que vira seu coração do avesso é abrir um livro lindo ao lado de uma criança para aprender como se lê uma história e o mundo.

            A autora falou sobre que em seu livro “Poemear”, as ilustrações foram feitas pelo seu filho.

 

“As escritas são marcas, vivências, experiências ao longo da vida”.                                 

                                                                                                                                               Adriana Barreta

 

No período da tarde contamos com a presença dos seguintes autores e ilustradores: Célia Cris, Silviane Scliar Sasson, Daphne Lambros, Oscar Reinstein, Ana Rapha Nunes e Jô Bibas.

Celia Cris Silva nasceu em Santos (SP), em 1966. Formou-se no Magistério, deu aula para crianças e alfabetizava seus alunos contando histórias. Depois formou-se em Letras, fez pós-graduação em Leitura de Múltiplas Linguagens e mestrado em Estudos Literários. Tornou-se escritora de literatura infantil, contos, microcontos e também é autora de livros didáticos e paradidáticos. Já ganhou até um prêmio Jabuti!

Desde 2014, Célia trabalha como voluntária numa ONG, num projeto de leitura com crianças em situação de risco. As crianças leem para cães e gatos. Por conta desse trabalho, ingressou numa outra ONG, que prepara cães para auxiliar pessoas com necessidades especiais e crianças com distúrbios e transtornos. Tem dez livros de literatura infantil publicados (“Ana e Ana”, “Conversa de bichos”, “Cheiros”, “Doces beijos”, “O menino e a flor”, “Conversa de Bicho”, “Maria do Pranto”, “Recado da Chuva”, “Orelha, nariz, barriga e bumbum: Quer mudar algum?”, “Os olhos de Toninho”, “A mulher que subiu ao céu”, um de "contos para a maturidade") e um monte de originais aguardando na gaveta. Mas ela sabe que tudo tem seu tempo e aprendeu a esperar.

Silviane Scliar Sasson nasceu e vive em Curitiba. Aquariana, inquieta, apaixonada pelas palavras, advogada (UFPR) e autora de literatura infantil. Tem quatro livros infantis publicados e outros em andamento (“Cadê o Fubá?”, “Catarina, A gaivota Vegetariana”, “Quem arrumou esta mala?). Estreou na literatura voltada ao leitor adulto com um texto que integra a coletânea Cartas para o Futuro (Selo Off Flip) e com o conto “Incongruência” para o projeto Pé de Amora (Amora Clube de Leitura). Indelével é seu primeiro livro de contos. A sua vivência com a literatura e com os livros, foi através da biblioteca dos seus avós, um lugar encantado, ouvir as folhas virando dos livros, foi instigando a sua imaginação e gosto pela literatura. Como escritora, nasceu como mãe, pois seus livros fluíram das experiências pessoais e das histórias que inventava para a sua filha. As ilustrações dos seus livros, foi em parceria com o Oscar Reinstein, nos seus livros coloca os dois como autores, pois um complementa o outro.

Daphne Lambros publicitária com especialização gráfica e também ilustração. Já foi marqueteira e até trabalhou na tv! (Nos bastidores, é claro!). Hoje, é empresária e dedica a ilustração para crianças, seja dando aulas, ensinado online ou nos livros infantis que desenhou. Ou seja, seu mundo é bem mais colorido!

Alguns livros ilustrados por ela: “Alistela larga essa tela”, “Prato de cinco cores”, “Cordel Infantil – Xô Pandemia”, “Tem alguém na barriga da mamãe”, “Por que o Chicão está usando TAMPÃO?”, “O menino que não experimentava”, “Tem alguém indo trabalhar”.

Segundo a ilustradora, seus traços são simples e até mesmo pouco sujo, onde muitas vezes as crianças acabam se identificando e vendo que conseguem desenhar e fazer desenhos até melhores. Não precisamos ter medo de colocar as ideias no papel. À medida que os livros se entrelaçam em nosso cotidiano, eles conectam nossas famílias e nos aproximam de indivíduos além do nosso ambiente comum.

“Desenhar: Possibilidades de ver o mundo através das formas e das cores”.

 

Oscar Reinstein ilustrador de livros infantis e designer gráfico, com experiência na área, técnico em vestuário e formado em design de moda.

Iniciou como ilustrador a partir da sua parceria com a escritora Silviane Sasson. Sua capacidade de criar respeitando os desejos e necessidades de seus parceiros é uma qualidade inovadora em um artista colaborativo. A capacidade de compreender e atender às expectativas dos parceiros é fundamental para o sucesso em projetos criativos, pois garante que a visão e as metas compartilhadas sejam alcançadas de maneira eficaz.

Ana Rapha Nunes publicou seu primeiro livro em fins de 2015. Pouco tempo depois, passou a se dedicar exclusivamente à Literatura e ao universo da formação do leitor. Em sete anos de caminhada literária, já realizou palestras para mais de 150 escolas, públicas e privadas, de todas as regiões do Brasil, seja de forma presencial ou virtual; assim como para faculdades, prefeituras, SESC e outras instituições da sociedade civil. Em suas palestras, de modo geral, a autora aborda o papel da leitura, da Literatura e da Cultura para a formação humana, a humanização da sociedade e a aquisição da autonomia crítica. Ao longo dessa caminhada, a escritora já teve obras adotadas ou adquiridas por diversas escolas e municípios. Antes de percorrer as veredas do Brasil, Ana Rapha lecionou para o Ensino Superior e a Pós-Graduação. Também foi coordenadora de Língua Portuguesa para o Ensino Fundamental, no qual trabalhou por mais de dez anos como professora. Atualmente, possui mais de 20 livros publicados, dedicado ao público infantojuvenil e a todas as idades.

Sua relação com os livros começou na infância, graças às leituras noturnas de seus pais. Quando entrou na escola, ela descobriu um novo mundo na biblioteca, que passava a frequentar regularmente. Desde sempre, alimentava uma paixão pela escrita e encontrou satisfação em elaborar desfechos para os livros, pois percebeu que as narrativas frequentemente careciam de um melhor desfecho.

Foi enquanto atuava como professora de língua portuguesa que ela deu início à sua carreira de escritora. Seu primeiro livro, intitulado "A Lua que eu te dei", foi publicado em 2015, e a partir desse momento, sua paixão pela escrita só cresceu, não tendo mais interrupções em sua produção literária: “A Mariana”, “Lucas, o garoto gamer”, “A noite chegou... E o sono não vem”, “Lagartas e borboletas”, “Segredos de uma vida no Museu”, “Tadeu e Antonieta”, “Mamãe e faz nuvens”, “Á espera do sol”, “Ela nasceu Clarice”, “A pequena grande menina”, “Lá vem o pato!”, “O galo que não cantava”, “O pé de palavras”, “Além do mar”, “Vidas de porcelana”, “Com os pés sujos de lama”, “Ainda Alice”, “Sete casa, sete vidas” e “Nem princesa, nem bruxa”.

Josiane Mayr Bibas fonoaudióloga, artesã, escritora e ilustradora, Jô Bibas é coordenadora da ONG Freguesia do Livro e do Coletivo Era Uma Vez, formado por autores curitibanos. A Coceira de Bartolomeu e Doeu, Bartolomeu? trazem o personagem-título, um elefante, às voltas com situações de superação e respeito à diversidade.

A formação foi permeada de muitos momentos emocionantes, com trocas de experiências literárias e poéticos.

Autor: Gizeli de Fátima Cordeiro Bento | Fonte: Gerência de Faróis do Saber e Bibliotecas
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