CULTURA NO PRATO

    Publicado por:  Caroline Kupczki Krezko

UM DIA PARA FICAR GRAVADO NA MEMÓRIA,

PORQUE ANTES HOUVE MUITOS DIAS!

No dia 27 de abril o CMEI Dr. Eraldo Kuster comemorou sete anos, no entanto o que menos importou foi à data; nem parabéns teve! O que aconteceu foi à festa do encontro das famílias; o encontro das culturas com muitas histórias, comidas típicas e conversas, com trocas de receitas; trocas de habilidades; de palavras de carinhos; conversas soltas sobre os filhos/as, sobre a vida e sobre a alegria em ter o filho/a em um ambiente seguro, que valoriza a cultura da criança, situada no seu tempo e lugar em que vive e etapa da vida.

Os períodos da existência do CMEI foram marcados por diferentes atores que por aqui passaram, tendo ainda aqueles/as que estão no local, desde sua fundação e que hoje são diferentes na forma de agir e pensar. O inacabamento do ser humano faz com que as pessoas vão se transformando com as mudanças dos tempos, dos olhares, dos sujeitos que vão passando pela vida.

A cada tempo o seu valor, a sua história construída. E, o tempo de hoje vem de uma estrada percorrida, dos novos atores que chegam com seus jeitos e olhares, amparados nas teorias, experiências e documentos legais que regem a Educação Infantil.

A história vivida neste dia 27 de abril foi à coroação, mas não o fim, de muitas histórias anteriores; do compromisso em promover ações voltadas para que a criança viva intensamente essa fase tão importante da vida e ampliar suas aprendizagens.

O planejamento começou a ser construído na formação da SEP, nos planejamentos semanais, na OTP (Organização do Trabalho Pedagógico), com estudos do olhar sensível sobre o cotidiano das crianças, sua cultura da infância, cultura da família, de uma criança situada em um tempo (biológico, cronológico), lugar e com uma história. Isto é, a criança situada no CMEI Dr. Eraldo Kuster, no bairro Pinheirinho, na cidade de Curitiba, no ano de 2018; que traz consigo uma história que descende de muitas regiões do Brasil, de outros países e influenciam no jeito de ser e de viver, hoje a sua infância.

O acolhimento da criança iniciou envolvendo as famílias na identificação de sua história, do entorno, o bairro em que vive o que costuma fazer com a família nos momentos de laser, onde passeiam. Vieram muitas relatos e registros de vivencias no bairro e na cidade em que a criança mora (Curitiba).

E como o ato de alimentar-se aos seres humanos não é tão somente satisfazer uma necessidade biológica; ele é carregado de significados afetivos; e, ainda com o foco na formação, percebeu-se a necessidade de investir nos momentos de alimentação no CMEI.  Com o título: Festival Cultura no Prato, as famílias foram envolvidas mais uma vez, com o objetivo de conhecer a cultura da família; tendo como enredo a alimentação: o que as crianças gostam de comer, heranças familiares, pratos típicos.

As famílias como eram esperadas enviaram belos relatos com histórias nostálgicas, afetivas, imagens de pratos da cultura herdada e muitas receitas preparadas junto com a criança.  A partir dessas histórias, tendo as crianças como protagonistas, as mesmas em conjunto com as professoras elegeram receitas para preparar em sala e também, desenharam, construíram em argila, massa de modelar, objetos para decorar a sala, o refeitório para o dia da confraternização com as famílias e posteriormente permanecer no refeitório. Nessa dinâmica as crianças participaram da confecção de pão de queijo, pizza, pães, bebidas e até feijão elas prepararam em sala.

Como já vimos, aos seres humanos, o ato de alimentar-se, é carregado de significados, sendo assim as famílias foram convidadas a uma confraternização no CMEI e motivadas a enviar um prato típico e na medida do possível e a partir do interesse das crianças, envolver as mesmas na preparação, já que havia se tornado verdadeiro mestres cucas na cozinha.

As professoras e famílias organizaram o ambiente e os pratos com tanta sofisticação que a festa, Cultura no Prato, marcou a história do CMEI Dr. Eraldo Kuster neste dia 27 de abril.

A cultura da família foi muito bem representada com trocas de receitas, informações. Teve bebidas que foi preparada na hora, como a Mirinda, bebida bastante apreciada pelas famílias. Outro prato que despertou muita curiosidade e que agradou foi à banana chittos, prato haitiano e que a muito, faz parte do cardápio nas festas do CMEI; o docinho de chá de capim limão também fez sucesso. A sopa cabocla que estava no cardápio a ser servida no dia, com ajuda do Departamento de nutrição fora divulgada a receita e também foi bem aceita pelas crianças e famílias. Teve até criança que quis levar um pouquinho para casa, já que viu pessoas levando alimentos a familiares que não puderam vir.

E, o compartilhamento seguiu, o pai que tem um restaurante no bairro fez questão de experimentar os pratos diferentes e foi conversando com os autores das receitas, para quem sabe diversificar a oferta de alimentação; o pai militar que trabalhou na Força de Paz no Haiti trocou conversas e até agendou com uma mãe haitiana para ela ir a casa dele fazer um penteado na filha; a mãe vegetariana foi explicando sobre a sua feijoada vegetariana com ingredientes que lembram sabor de carne. Muitas outras histórias surgiram nessa tarde que dispensaram qualquer apresentação, ou relatos sobre as razões do encontro e tudo que estava acontecendo. Todos/as estavam envolvidos/as e situados/as ao contexto.

O encontro das famílias apresenta já uma cultura do CMEI Dr. Eraldo Kuster, esclarecendo, as famílias quando convidadas a vir ao CMEI numa sexta à tarde; elas vêm e sem pressa. Conversam entre elas, com as professoras, brincam com as crianças; e os vínculos cada vez mais estreitos. Quanto à cultura no prato, sem sombra de dúvidas, ela demonstrou a cultura das famílias; os diferentes jeitos de preparar o mesmo feijão, arroz, o pão, os doces, as bebidas.

Assim a história do CMEI Dr. Eraldo Kuster segue com sua cultura e o enredo em que todos/as os atores, as atrizes têm papel de protagonistas.

 

Autor: Dr. Eraldo Kuster, CMEI | Fonte: Ivete Bussolo
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