Crianças, contextos e aprendizagens: os processos relacionais de aprendizagem na Educação Infantil

    Publicado por:  Aline Eluize Cardoso

No mês de setembro o CMEI Ciro Frare apresentou na Conferencia Nacional de Educação Criativa o presente trabalho desenvolvido nas turmas de Maternal I pelas profissionais Adriana Martins de Jesus, Débora Cristina dos Santos, Elisabete Lucinda de Oliveira, Josieli Farias Barbosa, Juliana Caroline Marchi e Lucimara de Andrade Batista sob orientação da diretora Marcia Rodrigues Fernandes e as pedagogas Patricia Celli da Silva Ribeiro e Marjane Santoni do Amaral o dialogo entre crianças e contextos de aprendizagem criativa na escola da infância, articulando aspectos do currículo e ambientes de aprendizagem, a partir das Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil e Base Nacional Comum, tendo como foco principal a projetação e reflexão acerca de ambientes e contextos de aprendizagem criativa baseadas em tempos, espaços e materialidades, numa perspectiva relacional. Pensar a programação curricular para educação infantil requer considerar o humano, reconhecer o pensamento criador, comum a todos os seres humanos, capazes de gerar novas idéias, pelo pensamento convergente, para o qual convergem as ideias do real, e o pensamento divergente, responsável por criar novas ideias e soluções para um problema, valorizando ambos, e visando o desenvolvimento do intelecto e da criatividade ao longo da vida, a partir de diferentes possibilidades, o pensamento divergente aceito uma quantidade infinita de soluções, pois não existe o conceito, é responsável pelo processo da imaginação da criação de soluções para problemas, este une conceitos já conhecidos dando-lhes uma nova abordagem. É através do contato com diferentes experiências que se dá o desenvolvimento da atividade criadora, abrindo horizontes que tornam o pensamento divergente mais amplo e completo possível, sujeito a variadas combinações de fatores. (Para Rodari, 1997, p. 30) a criatividade e sua fomentação se dão durante a toda a vida, sendo possível educar o processo criativo a partir de diferentes ferramentas e oportunidades, pois a imaginação é como uma ferramenta de libertação dos estereótipos criados pela sociedade, “Não para que todos sejam artistas, mas para que ninguém seja escravo” (Rodari 1997: 17). O trabalho pedagógico flexível em seus diferentes formatos e possibilidades envolve a curiosidade e o interesse das crianças pelo assunto, como também cria condições para as crianças conhecerem, descobrirem e dar novos significados para as suas experiências e os seus sentimentos, valorizando as suas ideias e culturas. Apontando para congruência entre os modos de aprender das crianças pequenas e os princípios da aprendizagem criativa: projeto, paixão, pares (compartilhamento, respeito), pensar brincando (livre experienciando). Aqui reside o desafio de definir os objetivos centrais da Pedagogia da Infância, no sentido de compreender as suas intencionalidades educativas. De acordo com Moises Kuhlmann Jr. (1999), não se trata de dizer que o conhecimento e a aprendizagem não pertençam ao universo da educação infantil, porém a dimensão que assumem na educação das crianças pequenas coloca-as numa relação extremamente vinculada aos processos gerais de constituição da criança: a expressão, o afeto, a sexualidade, a socialização, o brincar, a linguagem, o movimento, a fantasia e o imaginário. Trata- se de compreender que as crianças, desde bem pequenas, pensam, organizando o pensamento de forma sofisticada e complexa. Tomar a criança como ponto de partida, compreender que, para ela, conhecer o mundo envolve o afeto, o prazer e o desprazer, a fantasia, o brincarem e o movimento, a poesia, as ciências, as artes plásticas e dramáticas, a linguagem, a música e a matemática. Pensar o currículo na Educação Infantil para Rinaldi (1999) requer romper com os modelos tradicionais a partir de uma abordagem baseada em ouvir ao invés de falar, em que a dúvida e a fascinação são fatores bem vindos, juntamente com a investigação. É uma abordagem na qual a importância do inesperado e do imprevisto é reconhecida. E que também permita a construção de experiências e processos compartilhados com as crianças, dialogando com esta concepção a Base Nacional Comum Curricular (MEC, 2016), sugere os campos de experiência como arranjo curricular para a educação infantil. A proposta dos campos de experiência educativa possibilita uma programação pedagógica construída a partir de uma pedagogia das relações, constituindo espaço de escuta, de respeito às especificidades, valorização da cultura construída pela criança nas suas diferenças, ouvindo-a, compreendendo-a, no intuito de garantir o direito de ser criança. O que significa realizar um trabalho com as crianças pequenas, em creches e pré-escolas públicas, que tenha origem nas curiosidades e interesses do grupo, considerando as hipóteses levantadas bem como valorizando os sentidos produzidos. Numa pedagogia de base relacional uma das possibilidades aqui em destaque é a projetação de ambientes relacionais de investigação e aprendizagem criativa, aonde se constituam como elementos do planejamento a projetação de ambientes lúdicos que disponham diferentes materiais que fomentem a investigação, ação e reflexão bem como a criação, num ambiente de aprendizagem colaborativa, onde ele não é centro, mas sim um possibilitador de oportunidades e de situações de aprendizagens. As crianças aprendem com os materiais à sua volta, aprendem umas com as outras, com outros adultos e com tudo o que o ambiente proporciona. Sendo elementos do ambiente a empatia, para acolher e ouvir as crianças em sua centena de linguagens, numa estratégia de atenção, a fluidez, as relações estabelecidas entre idéias, pessoas, culturas e crianças e materiais, numa estética sensível que revele conexões marcando a identidade do lugar pelas conexões e qualidade das experiências vivenciadas, que dialogue com a plasticidade sensorial das crianças, a partir da multisenssorialidade não baseada apenas em estímulos, mas em um ambiente complexo que permita pensar a parte e o todo, as composições e sobreposições luz, sombra, traço, aromas, cor, acústica, microclima e efeitos táteis. Explorar a realidade é condição da infância, assim ao habitarem os espaços as crianças constantemente constituem lugares imaginários e reais a partir de intervenções com alguns poucos elementos e objetos como luz artificial, projetores de slides, equipamentos digitais, por exemplo, permitem construir cenários, levantar hipóteses e criar e ampliar seus projetos e auxiliam a construir cenários virtuais, ao agregarmos elementos naturais, formas curiosas e inusitadas podemos flexibilizar ainda mais as possibilidades de descobertas tanto artísticas quanto cientificas, essa possibilidade flexível e mutável deve estar presente também na organização dos contextos de aprendizagem criativa por caracterizarem-se como elementos de identidade, relação e comunicação adaptando-se a autoaprendizagem das crianças e dos adultos que narram os projetos tornando-os comunicáveis, compartilháveis, trazendo a evolução como condição operacional e cultural do espaço que narra processos de aprendizagem e construção de conhecimento bem como trajetórias didáticas e valores.

Autor: Ciro Frare, CMEI | Fonte: Equipe EPA - Patricia Celli da Silva Ribeiro
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