Projeto Pedagógico - CEI Heitor de Alencar Furtado, Escola Municipal

Escola Municipal CEI Heitor de Alencar Furtado

Projeto Político Pedagógico

CURITIBA

2016

  1. Identificação

Escola Municipal CEI Heitor de Alencar Furtado – Educação Infantil e Ensino Fundamental.

Rua Robert Redzimski, 971 – CIC.   Tel. 3285 – 1533

E-mail: emheitorfurtado@ sme.curitiba.pr.gov.br

Equipe Gestora: Diretor (a) Luciane Regina Gogola Kmiecik, Vice-diretor (a) Maria do Rosário Augusto Pereira, Coordenador (a) administrativa Ana Cristina Medeiros dos Santos, Pedagogas Alzira Lucia Pavowski de França, Vanessa Aparecida Bertoldi Malheiros e Mônica de Araújo, Articulador (a) da Educação Integral Andréa Moreira Silva.

1.2 Caracterização da Instituição e da comunidade escolar:

       A Escola Municipal CEI Heitor de Alencar Furtado foi inaugurada em 1983, está localizada na Cidade industrial de Curitiba, com população de 172.669 habitantes e renda média mensal dos responsáveis pelos domicílios entre três e quatro salários mínimos, de acordo com dados censitários levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Censo Demográfico de 2010.

        Atende os alunos dentro da faixa etária de quatro e cinco anos para o Pré-escolar e de seis aos dez anos para o Ensino Fundamental de nove anos – Lei Federal n° 11.274/06 e Resolução n° 03/05, inseridos nos Ciclos I – 1°, 2° e 3° anos – e Ciclo II – 4° e 5° anos.

        Em levantamento de dados por meio de questionário enviado aos pais, em uma amostragem de 64% do total de alunos matriculados, 63,8% das famílias tem apenas um filho matriculado nessa escola, 89,3% tem dois filhos matriculados e 9,3% tem três ou mais filhos matriculados. Com relação à constituição das famílias, 59% dos alunos residem com seus pais, 24% apenas com a mãe, 1,8% apenas com o pai e 9% com outros familiares. Recebem o Benefício Bolsa Família 14,7% dessas famílias.

       A maioria dessas famílias é composta por quatro pessoas 36,7%, seguida de famílias com três integrantes 25%, 20% são compostas por cinco integrantes, e 11% com seis ou mais pessoas e apenas 5,2% por duas pessoas. A religião praticada por 51,6% das famílias é a Católica, seguida pela Evangélica – 49,4%. Como fonte de lazer a grande maioria das famílias 46,6% costuma visitar parentes ou amigos e viajar.

         No entorno da escola há um comércio variado, de pequeno e médio porte, que atende à demanda da comunidade no que diz respeito a panificadoras, açougues, mercados, lojas de roupas, calçados e móveis, além de prestadores de serviços e Clínicas Médicas e Odontológicas particulares. A escola está situada entre Escola Estadual de Ensino Fundamental – ciclos III e IV – e Médio, Unidade de Saúde Municipal e Centro Municipal de Educação Infantil. Há facilidade de acesso a transporte coletivo público, com vias de acesso de ligação com outros bairros do município. Nos fundos da escola há um bosque de livre acesso a toda a comunidade, que também conta com praças equipadas com brinquedos, academia ao ar livre e canchas esportivas para os momentos de lazer.

         A escola possui, no ano de 2016, 571 alunos matriculados, dos quais 315 no Ciclo I, 197 no Ciclo II, 50 na Educação Infantil, 10 em Classe Especial e 295 alunos na educação Integral. Em 2015 a escola alcançou 94,89 % de aprovação de seus alunos; 4,97% de reprovação e 0,14% de abandono, em suas taxas de rendimento escolar.

1.3 Organização do Espaço Físico

           A escola possui doze salas de aulas utilizadas pelas turmas do ensino regular, esses espaços são planejados e organizados de forma a contribuir para a melhoria da qualidade do ensino dos estudantes. Todas as salas possuem alfabeto, calendário anual, quadro numérico, regras da sala confeccionadas pelas crianças e professores no início de cada ano letivo respeitando as especificidades de cada turma, livros de literatura, televisão, entre outros. A escola possui dois laboratórios de informática, sendo um utilizado pelas turmas do ensino regular e outro de uso exclusivo das práticas da Educação Integral.

         Contamos ainda com seis salas em prédio anexo, que são utilizadas para contemplar as Praticas Educativas ofertadas na Educação Integral. São elas: Prática de Educação Ambiental, Práticas de Acompanhamento Pedagógico em Matemática e Língua Portuguesa, Práticas de Ciência e Tecnologias, Práticas Artísticas e Prática do Movimento e Iniciação Esportiva. Cada professor organiza sua sala de acordo com a prática que desenvolve, tendo em vista que todos esses ambientes de aprendizagem necessitam ser intencionalmente organizados para o desenvolvimento de atividades significativas, ampliadas e diversificadas, o que possibilita as mais variadas formas de expressão, tanto individuais quanto coletivas. Os estudantes trocam de sala de acordo com um horário pré-estabelecido de modo que passam por todas as práticas durante a semana.

         A Escola possui uma cancha de areia utilizada para diversas práticas esportivas e uma quadra coberta utilizada nas aulas de educação física, apresentações culturais, e durante o recreio para a prática do futebol. Parque de madeira com Casa do Tarzan, muito utilizado pelos alunos da educação infantil. Refeitório com seis mesas, utilizado para servir as refeições aos alunos integrais e duas mesas para o café dos professores e demais funcionários.

         O almoxarifado da escola conta com grande acervo de livros para consulta de professores, bem como diversos jogos e materiais didáticos. Secretaria equipada com computadores, telefone, impressora e máquina de Xerox, além de mesa para as secretárias realizam o atendimento aos pais.

        Sala da direção, localizada estrategicamente na entrada que dá acesso ao restante da escola, utilizada pelos membros da equipe diretiva. Sala do Setor Pedagógico, utilizada pelas pedagogas para atendimento a estudantes, pais, professores, anexa a sala dos professores, o que permite maior proximidade com os docentes no momento em que realizam seus estudos e planejamento. Banheiros masculinos e femininos para os estudantes no pátio coberto, bem como bebedouros para que os estudantes possam se hidratar ao longo do dia e após a realização das atividades físicas.

           O pátio coberto é utilizado para exposição dos trabalhos realizados pelos estudantes, bem como, para brincadeiras na hora do recreio, dentre elas podemos destacar: peteca, jogos de tabuleiro, quadro de giz, gibis, carrinhos e bonecas. Realizamos dois recreios em cada turno devido à quantidade de estudantes, o primeiro recreio atende os estudantes do Regular e o segundo recreio atende os estudantes do Integral.

          A escola conta ainda com o Farol do Saber Fernando Amaro de Miranda, anexo à unidade, que além de atender os estudantes da escola realizando semanalmente empréstimos de livros e momentos de contação de história, atende também a comunidade do entorno da escola ofertando empréstimos de livros, materiais para pesquisas, jornais e revistas e acesso a internet.

1.4 Acessibilidade

         A escola foi inaugurada há 33 anos, infelizmente em sua construção não foram pensadas as questões de acessibilidade, sendo assim, precisou passar por reformas poder atender os estudantes com necessidades especiais.

       Nas escadas de acesso a entrada da escola e ao pátio coberto foram construídas rampas de acesso, o banheiro localizado no prédio anexo a unidade foi adaptado para uso de cadeirantes. No momento não possuímos nenhum estudante cadeirante.

         Com relação ao prédio que abriga as oficinas da Educação em Tempo Integral, ainda não possui rampas de acesso, o que dificulta a acessibilidade dos estudantes com dificuldades de locomoção.

         Atendemos no ano de 2016 um estudante com baixa visão, sendo necessária a adequação e ampliação das atividades para que possa acompanhar o desenvolvimento da turma.

1.5 Caracterização dos profissionais da instituição

          A escola tem o seu quadro funcional composto por trinta e quatro profissionais, desses quinze fazem RIT (Regime Integral de Trabalho) ou possuem dois padrões. Contamos com quatro professores de Educação Física, duas professoras no Farol do Saber, uma professora da Classe Especial, dez auxiliares de serviços escolares, sendo sete profissionais de apoio escolar e três profissionais de apoio administrativo.

        A equipe pedagógica administrativa é composta por uma Diretora, uma Vice-diretora, uma Coordenadora Administrativa, três Pedagogas (uma com dois padrões) e uma Articuladora da educação Integral. Dos profissionais que trabalham na escola, trinta e sete possuem pós- graduação e 11 ainda não possuem.

1.5.1 Plano de formação continuada

            Com o intuito de aprimorar os avanços já obtidos em nossa instituição e propor mudanças qualitativas no trabalho pedagógico, propõe-se uma organização a partir da nossa realidade. Visando realizar de maneira concreta um trabalho de suporte pedagógico que contemple as necessidades da comunidade escolar, a Equipe Pedagógica estabelece metas e objetivos capazes de nortear maior integração entre escola, comunidade, Equipe Pedagógica e Administrativa e docente, com proposta de manter e elevar a qualidade da educação.

          Articulam-se ações no sentido de proporcionar a interação e troca de experiências e de ideias entre todos os profissionais dessa instituição, incentivando a participação em eventos como cursos, palestras, seminários, capazes de contribuir com a qualidade da educação, oportunizando momentos de estudo, reflexão, discussão, orientação, acompanhamento e de apoio a todo corpo docente.

         São procedimentos e movimentos para integração dos turnos escolares: Reuniões de Organização do Trabalho Pedagógico (OTP), conforme regulamentação de Instrução Normativa Anual do CTEFE, Assessoramentos nas unidades escolares, Permanências concentradas, Encontros de Semana de Estudos Pedagógicos (SEPs), Conselhos de Classe, Quadros compartilhados de planejamento, ações e diversas estratégias de comunicação entre turnos.

       Os profissionais da escola participam ativamente das formações e cursos ofertados pela mantenedora, dentre eles o PROFI, que oferece formação aos profissionais que atendem as turmas de 1º ao 5º ano, em sua permanência, bem como pedagogas e equipe diretiva.

       Destacam-se também os cursos ofertados aos professores de Educação Física, Arte, Ensino Religioso e Ciências, que fornecem subsídios para a melhoria na qualidade do ensino aprendizagem dessas áreas do conhecimento.

       Algumas profissionais da escola realizam ainda o PNAIC, ofertado pelo governo federal, em parceria com a prefeitura de Curitiba, no período noturno.

     Em nossa instituição possuímos alguns direcionamentos que garantem a efetivação da ação dos profissionais da escola, respeitando-se as diferentes atribuições:

•    Em seu dia de permanência e os 33% de hora permanência os professores recebem da Equipe Pedagógica orientações para que o trabalho em sala de aula ocorra de acordo com a Proposta Pedagógica, com estudo e reflexão.

•    Assessoramento pedagógico realizado pelas Pedagogas do Núcleo, mediante solicitação das professoras ou observação da necessidade, em assunto de interesse, coletivamente e com momentos para as reflexões decorrentes.

•    Incentivo à participação em cursos e palestras, ofertados pela Mantenedora ou outras instituições, no seu dia de permanência ou período contrário, e com momento para a socialização dos mesmos.

•    Estudos em horários de permanência, com a garantia de momentos para o preparo de materiais e planejamento das aulas.

•    Levantamento das necessidades de aprofundamento teórico das professoras através de assessoramentos e reuniões pedagógicas.

•    Elaboração de cronograma trimestral, negociado junto ao corpo docente, estabelecendo-se períodos para estudos, planejamento, organização do trabalho escolar e outros afins.

•    Permanências concentradas no período noturno para estudos com o corpo decente, onde se disponibilizam os momentos para socialização de cursos e palestras.

•    Planejamento trimestral, para acompanhamento do desempenho profissional do professor e assessoramento quanto aos encaminhamentos, evolução dos trabalhos e realimentação do planejamento.

          A escola propõe reuniões previstas em calendário escolar, sendo um total de seis, realizadas num prazo máximo de dois meses de intervalo, com todo o corpo docente, sendo duas para Organização da Escola, no início do primeiro e do segundo semestre e quatro Pedagógico-Administrativas. São realizadas quatro Reuniões de Integração na Educação Integral, para organização desse espaço pedagógico, levantamento de suas necessidades e acompanhamento de suas atividades.

          A Semana de Estudos Pedagógicos é realizada em duas etapas, sendo uma de dois dias com trabalhos oferecidos pela Mantenedora, em data e local designados por ela e outra de três dias realizados pela Escola, com escolha de palestrantes e/ ou docente de acordo com as necessidades levantadas junto a todo corpo docentes, realizados no espaço escolar, em período noturno ou sábado, em data escolhida em comum acordo e com aprovação da Mantenedora, responsável pela contratação do docente escolhido.

 

  1. Etapas e modalidades ofertadas

         A escola oferta Educação Infantil Ensino Fundamental de nove anos e modalidades: Educação Especial (Classe Especial), oferta ainda educação em Tempo integral.

         Educação Infantil: As matrículas para essa modalidade de ensino são destinadas a crianças na faixa etária de cinco anos a serem completados a partir de março do ano letivo até dezembro, com opção a de frequentar o ensino integral de 9 horas.

         Ensino Regular: Os responsáveis que optam por essa modalidade de ensino têm à sua disposição 254 vagas no período da manhã das 08 às 12 horas e 317 vagas para o período da tarde das 13 às 17 horas. Nesse período de 4 horas realizam as atividades apenas do ensino regular, nas modalidades Educação Infantil e Ensino Fundamental de nove anos.

              Educação Especial: Nossa instituição conta com uma sala destinada a crianças com Necessidades Educacionais Especiais, com 12 vagas para o período da manhã, no horário das 08 às 12 horas.

            Educação Integral: Os responsáveis que optam por essa modalidade de ensino têm à sua disposição 120 vagas para o período da manhã e 150 para o período da tarde. O trabalho é desenvolvido por meio de Práticas Educativas, em salas temáticas, assim os estudantes passam por todas as oficinas no decorrer da semana. Carga horária anual do período integral: 800h – componentes curriculares, 800h – práticas educativas, 200 dias letivos, 200h período do almoço.

 

 

  1. Regime Escolar

          Será elaborado anualmente pelo estabelecimento de ensino, com a participação de todos os segmentos da comunidade escolar, devendo ter aprovação do Conselho de Escola, atendendo ao disposto na legislação vigente e às orientações da SME.

3.1 Dias letivos e Carga Horária Anual

       Deverá atender a 210 (duzentos e dez) dias letivos, sendo 200 dias para garantia das 800 (oitocentas) horas anuais de direito do estudante e 10 de atividades para os profissionais, em reuniões de organização e pedagógico-administrativas e Semana de Estudos Pedagógicos.

  1. Calendário Escolar

       Elaborado de acordo com as orientações da Secretária Municipal de Educação, as datas dos sábados letivos, Conselho de Classe, Reuniões Pedagógicas e Organização de trabalho pedagógico (OTP) são escolhidas pelos profissionais da escola em reuniões em seguida são submetidas a aprovação do pelo Conselho de Escola.

  1. Horários de Atendimento e Tipo da Oferta

Regular: Manhã das oito horas às doze horas, com intervalo para o recreio das nove e cinquenta às dez horas e dez minutos e no período da tarde das treze horas às dezessete horas, com intervalo para o recreio das quatorze e cinquenta às quinze horas e dez minutos.

Integral: Início das aulas ás oito horas e termino as às dezessete horas, com intervalo para o almoço das doze horas até às treze horas. Os recreios acontecem das dez horas e vinte minutos às dez horas e quarenta minutos no período da manhã e ás quatorze horas e cinquenta minutos às quinze horas e dez minutos no período da tarde.

3.4 Composição de Turmas

          Para efeitos de composição de turmas serão obedecidos os critérios e normas estabelecidos na Portaria n° 26/2005, que fixa o número de educandos.

 

ENSINO FUNDAMENTAL

Ciclo I

25 educandos (mínimo)

30 educandos (máximo).

Manhã: 5 turmas

Tarde: 5 turmas

Ciclo II

25 educandos (mínimo)

 35 educandos (máximo)

Manhã: 3 turmas

Tarde: 3 turmas

Oficinas – Complexo II

30 educandos

Manhã: 4 turmas

Tarde: 5 turmas

Turmas com inclusão

Redução de até 5 educandos, mediante parecer da CANE/SME

Manhã: 1 turmas

Tarde: 3 turmas

MODALIDADES DE ATENDIMENTO DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NO ENSINO REGULAR

Classe Especial

08 educandos (mínimo) a 12 (máximo)

.

 

 

 

 

4. PRINCÍPIOS FILOSÓFICOS E PEDAGÓGICOS

4.1 Concepções

          A Constituição Federal de 1988 instituiu o direito à educação como direito público e subjetivo, circunscrevendo este bem social pela obrigatoriedade, para que ninguém dele se aliene, e a gratuidade para que ninguém dele seja excluído. A Lei número 12.796/2013 determinou a titularidade deste direito a todos/as dos 05 aos 17 anos obrigando o Estado a um complexo conjunto de políticas para sua operacionalização.

         A escola precisa democratizar e oportunizar o acesso, a participação e a permanência a seus estudantes, precisa repensar a educação, ter uma nova visão, quebrar modelos educacionais e curriculares tradicionais, provocar mudanças, enfrentar os paradigmas do nosso século. É necessário criar uma escola com novos parâmetros de qualidade, constituída a partir do conhecimento da realidade local, com nova práxis para ensinar, aprender, avaliar, preocupada com o desenvolvimento humano e o aprendizado do aluno.

         O projeto educacional que almejamos está associado estreitamente à reparação das injustiças sociais, garantindo a distribuição social e equitativa dos conhecimentos a todos/as os/as estudantes. Tal conhecimento propicia a todos os sujeitos condições paritárias de participação, isto é, igual possibilidade de influência nos destinos da sociedade.

         Após dois anos de discussões, com a intensa participação dos profissionais da rede, em cursos, seminários e semanas pedagógicas, seguem abaixo as principais concepções que irão nortear as ações da Rede Municipal de Ensino de Curitiba, que constam no Currículo do ensino Fundamental: versão preliminar, volume I.

         A BOA ESCOLA está ancorada nos princípios da DEMOCRACIA, EQUIDADE, TRABALHO COLETIVO, AUTONOMIA e INTERESSE PÚBLICO, operados por instrumentos de expansão e refinamento de participação social, que se constituem nos fundamentos da Gestão Democrática prevista em lei (CF/88, LDB n. 9394/96).

      A EQUIDADE como princípio baliza as políticas educacionais do município, na perspectiva de superar a assimetria social, econômica, cultural e individual dos sujeitos, reconhecendo as desigualdades e fazendo justiça social. A equidade significa disponibilizar a todas e a cada um o necessário para sua emancipação social.

     A DEMOCRACIA precisa estar presente na BOA ESCOLA, como princípio e método. Como princípio, considera que todos tem o direito a interferir nas tomadas de decisão. Como método, disponibiliza a todas e todos os instrumentos e condições de participação legítima no planejamento, execução e avaliação das ações educativas, em qualquer âmbito. Assim, há necessidade de refinamento e ampliação de instrumentos de participação para que de fato haja diálogo e a tomada de decisões seja coletiva e, portanto, legítima. Para tal, é pressuposto compreender a participação como política, a escola como um serviço público e a construção coletiva de decisões a partir dos dissensos, consensos e da diversidade como resultado da articulação de grupos e sujeitos.

       O exercício democrático possibilita a construção da AUTONOMIA e do TRABALHO COLETIVO. A primeira, sempre relativa e social, devendo ser regulada pela legislação e pelos interesses público e coletivo, e estar vinculada às condições para o acesso e fruição do direito à educação a todos e todas. A articulação entre todos os sujeitos, a corresponsabilidade e o planejamento participativo são fundamentos para que haja unidade na diversidade entre os sujeitos da ação educativa, na intencionalidade de suas ações.

      As ações governamentais estão sempre vinculadas às demandas pela efetivação dos direitos sócias, entre eles a educação. Assim, tais ações não podem ser dimensionadas pelo interesse privado de sujeitos e grupos sociais. Ao Estado cabe, como representante de todos, à função de distribuição de direitos constitucionalmente protegidos para toda sociedade. Por isso, é o INTERESSE PÚBLICO que deve circunscrever as proposições, ações e prescrições governamentais.

     4.1.1 Sociedade

          O acesso ao conhecimento científico/histórico permite à formação de uma sociedade mais justa, atrelada à reflexão de valores que sobreponham o coletivo ao individual, respeitando a cultura e as capacidades individuais apresentadas, promovendo a integração das necessidades de aprendizagem, ressaltando a responsabilidade e respeito como condição de democracia. Capacitar ao individuo poder descobrir, reanimar e fortalecer o seu potencial criativo, estimular o senso critico, compreender o real e desenvolver a autonomia para discernir.

É dever da escola e dos profissionais da educação, preparar o estudante para a vida moderna. Mais do que o domínio de técnicas se precisa desenvolver nos estudantes as habilidades cognitivas e emocionais. A criatividade, o senso crítico, a iniciativa, o raciocínio lógico. Nessa perspectiva o estudante é o agente da sua própria educação com a intervenção e orientação de um mediador, tornando-se integrante do processo educativo, aprendendo a se autoavaliar, a rever seus erros e a acreditar em suas próprias possibilidades, desenvolvendo sua autoestima e consequentemente, sua inteligência intrapessoal e interpessoal.

       Vygotsky elaborou uma teoria de desenvolvimento intelectual, sustentando que todo o conhecimento é construído socialmente no âmbito das relações humanas. Ele deixou a ideia sugestiva para a educação de que a criança utiliza seu instrumental biológico e mental e com ele interage com os valores do seu tempo. Assim, a criança aprende por um processo que não separa o conhecimento do sentimento. A vivência em sociedade é fundamental para a transformação do homem de ser biológico em ser humano.

        A escola como um todo percebe o estudante como um ser histórico que nasce, participa, reelabora e vive dentro de sua sociedade, é preciso adequar seus conteúdos à realidade desses, procurando torná-los significativos, para que possa exercer sua cidadania. O professor atua como o mediador, o dinamizador e o facilitador do processo pedagógico, procurando transformar a teoria em prática.

4.1.2 Ser Humano

       Ao refletirmos sobre o processo educativo é inevitável considerar a bagagem trazida pelos alunos, seja de sua vivência ou de sua compreensão da realidade. A escola tem o desafio de capacitar esse estudante, sujeito da história, para interagir sobre esta realidade, buscando melhorias da qualidade de vida. Na elaboração desta reflexão é preciso ter claro que a educação é um processo em que nada está acabado, a dúvida e a busca permeiam todo o espaço da práxis pedagógica, onde há um constante repensar e refazer.

        Ao reelaborarmos o Projeto Político Pedagógico, estamos nos responsabilizando por uma iniciativa de mudanças.

       A missão aqui estabelecida é a de oferecer ensino de qualidade à comunidade e propiciar condições para uma aprendizagem significativa, que prepare sujeitos atuantes, éticos e com argumentação sólida. Ensino onde se prime pela construção da cidadania pautada pelos qualitativos da participação, da igualdade e pluralidade. Cidadania que respeite as individualidades, construindo-se a partir delas na direção da autonomia, pois somente com cidadãos autônomos será possível uma sociedade plural e igualitária ao mesmo tempo.

4.1.3 Educação

         A finalidade da educação deve organizar-se ao redor do conhecimento, aprendizagens fundamentais, que soam: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser, a fim de que se apresentem como experiência global, no plano cognitivo e prático, tanto individual quanto social.

          Para realizar este trabalho, o educador deve estar inteirado, comprometido e sensibilizado. É imprescindível que haja integração entre ele e o educando, procurando propiciar-lhe confiança em si mesmo, que adquira liberdade de expressão e caminhar em busca do conhecimento. A linguagem é uma forma de ação entre os indivíduos, que os leva a entender e interpretar o mundo e a realidade. Toda a metodologia do trabalho deve permitir ao estudante desenvolver habilidades, competências, a expressão, o ato de pensar e a criatividade, fator marcante da infância.

4.2 Princípios e Fins

       Uma escola preocupada com a construção da cidadania e autonomia do estudante estará voltada principalmente para a produção e construção do conhecimento e viabilizará metodologia de trabalho e disponibilizará recursos que favoreçam a aprendizagem tanto da criança quanto do professor.

      O ensino e a aprendizagem só se efetivam quando a competência do professor envolve sensibilidade e conhecimento de para que e para quem se ensine. É algo que vai muito além do domínio dos saberes, das estratégias diversificadas, de recursos e encaminhamentos metodológicos. É acima de tudo uma construção recíproca, que ocorre na troca de ideias entre estudante/ estudante, estudante/ professor e estudante/ professor/ mundo.

       A escola é um lugar privilegiado para se falar de ensino e aprendizagem e quando organizamos conteúdos e o currículo, prevemos um foco diferenciado de Ensino e Aprendizagem, mas que ocorrem de maneira concomitante (se não há ensino, não há aprendizagem. Se não houve aprendizagem, não se efetivou o ensino).

            A escola tem como compromisso ser um espaço motivador e estimulante, ofertando uma prática pedagógica interdisciplinar, com ambiente favorável para a concretização de um saber elaborado, garantindo aos alunos oportunidades e conhecimentos capazes de colaborar para um futuro próspero e inovador. Com isso, professores e escola buscam fazer com que o estudante sinta prazer de estar no ambiente escolar e de ser um colaborador, construtor ativo desse processo. O estudante deve sentir o prazer de aprender e o professor o prazer de ensinar.

4.2.1 Da Instituição

             A família é a primeira instituição responsável pelo crescimento, desenvolvimento e formação da criança. A ela cabe o dever de assegurar os direitos da criança e do adolescente previstos nas leis nacionais. Para um desenvolvimento integral, saudável e harmonioso é preciso que haja um envolvimento da família e que a escola cumpra o seu papel.

         Cada instituição tem seu papel no processo educativo dos estudantes, mas um bom relacionamento entre escola e família é fundamental. Levar os pais para dentro da escola, dialogar, para que o estudante perceba que ambas as instituições possuem os mesmos objetivos: seu crescimento, desenvolvimento, sua formação e suas aprendizagens.

          Além da família, a escola tem função fundamental na construção e formação do estudante. Para isso, deve ter como eixos norteadores de sua prática pedagógica, projetos educativos integrados e permanentes, que devem participar de todas as etapas da escolaridade e organizados de maneira que possam permear mediações nas diversas áreas do conhecimento que compõem o currículo escolar.

          Cabe à escola trabalhar respeitando as emoções, as culturas, étnico-raciais, a diversidade religiosa, ampliando e aprofundando a visão de mundo de todos os sujeitos envolvidos nesse processo (estudantes, família, docentes e comunidade escolar).

4.2.2 Da Gestão Escolar

           Gestão democrática implica participação intensa e constante dos diferentes segmentos sociais nos processos decisórios, no compartilhar as responsabilidades, na articulação de interesses, na transparência das ações, em mobilização e compromisso social, em controle coletivo.

          Nossa gestão educacional está voltada para o ensino de qualidade, desenvolvendo capacidades que permitam aos estudantes produzir e usufruir os bens culturais, sociais e econômicos. As decisões administrativas, pedagógicas e financeiras são resultados da cooperação e participação de todos os segmentos da comunidade escolar, representados pelo órgão máximo da gestão, o Conselho de Escola.

          Esta escola, comprometida com uma educação de qualidade, desempenha importante função em nossa comunidade e tem como exercício a gestão democrática, participativa e compartilhada, com autonomia para refletir, propor, viabilizar recursos e estratégias, buscando sempre melhorar a qualidade da educação. Uma gestão escolar democrática sempre apresenta como características o compartilhamento de decisões e informações, a preocupação com a qualidade da educação, a transparência de suas ações, os recursos financeiros que recebe e a prestação de contas.

4.2.2.1 Órgãos Colegiados (Conselho de Escola)

       O Conselho de escola é um órgão colegiado organizado na escola e formado pelos representantes de todos os segmentos da comunidade escolar para discutir, normatizar, aconselhar e deliberar sobre questões importantes do cotidiano escolar.

       A comunidade escolar é formada por pais, estudantes, professores, pedagogos, funcionários, membros da APPF e instituições comunitárias.

      O Conselho de Escola representa a comunidade escolar e local no enfrentamento de desafios educativos e de problemas sociais, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

4.2.2.2 Instituição Auxiliar (APPF)

       A Associação de Pais, Professores e funcionários, pessoa jurídica de direito privado, é um órgão de representação de pais, professores e funcionários da Unidade Escolar, não tendo caráter político partidário, religioso, racial e nem fins lucrativos, não sendo remunerados os seus dirigentes e conselheiros. 

       A APPF, enquanto órgão integrador família-escola-comunidade, terá acompanhamento, estímulo e apoio para sua efetiva atuação e função social, promovendo festividades para angariar fundos, para composição de recursos próprios.

4.3 Objetivos de cada etapa/modalidade ofertada e forma de organização

         Os diferentes tempos biológicos e culturais – os ritmos da natureza e da vida cotidiana – interferem nos processos de aprendizagem e nas vivências dos seres humanos. O tempo escolar propicia aos estudantes desenvolvimentos e aprendizagens significativas para a vida toda. “É preciso considerar os estudantes em suas especificidades e potencialidades, desenvolvendo ações e espaços que os tenham como centro da organização do processo pedagógico, no qual as suas vivências, experiências, saberes e valores sejam contemplados. Isso implica em reorganização da escola levando em conta os tempos da vida, das aprendizagens, dos fazeres e das construções dos estudantes” (Diretrizes Curriculares, 2006).

          Cabe ao professor desenvolver práticas educacionais dinâmicas e contextualizadas que desenvolvam estratégias tais como atenção, percepção, memória, pensamento, imaginação e capacidade de aprendizagem, potencializando a aprendizagem.

4.3.1 Educação Infantil

           Até os seis anos, a criança vive uma das mais complexas fases do desenvolvimento humano, nos aspectos intelectual, emocional, social e motor, que será tanto mais ricas quanto mais qualificadas forem às condições oferecidas pelo ambiente e pelos adultos que a cercam.
          Uma escola precisa ser mais do que um lugar agradável, onde se brinca. Deve ser um espaço estimulante, educativo, seguro, afetivo, com professores realmente preparados para acompanhar a criança nesse processo intenso e cotidiano de descobertas e de crescimento. Precisa propiciar a possibilidade de uma base sólida que influenciará todo desenvolvimento futuro dessa criança.    

         Para formar uma criança saudável e desenvolver sua capacidade de aprender a aprender, sua capacidade de pensar e estabelecer as bases para a formação de uma pessoa ética capaz de conviver num ambiente democrático, precisão ser colocadas em prática atividades que desenvolvam um conjunto de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores adequados a cada faixa etária.

          Em Curitiba, o acompanhamento junto à Educação Infantil se faz de maneira séria e reflexiva perante o desenvolvimento global da criança, a partir da validação das Diretrizes para a Educação Infantil. A Resolução da Câmara de Educação Básica n° 05/ 2009 e o Parecer 20/2009, que fixam as Diretrizes Curriculares Nacionais Para a Educação Infantil, ela aponta princípios, fundamentos e procedimentos que orientam as Instituições de Ensino com relação à organização, articulação, desenvolvimento e avaliação das propostas pedagógicas.

          Na rede Municipal de Curitiba entendemos a criança como um sujeito histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura.

       O conceito de infância como categoria social do tipo geracional, apresentado por Sarmento (2008) diz respeito ao grupo de crianças pertencentes a uma mesma geração, concebendo-as como atores do processo de socialização e não destinatários. Este conceito foi fruto de reflexões sobre o que é ser criança e as experiências vivenciadas nesta fase da vida humana. Assim, considera-se mais pertinente o uso do termo infâncias, visto que elas são vividas de maneiras diversas. A depender do contexto histórico, social, cultural, político, econômico, ou mesmo de gênero, a criança poderá vivenciar diferentes tipos de infâncias.

      A criança é compreendida como ser humano de pouca idade, que em seu desenvolvimento biológico possui características universais como: a dependência do outro para sua sobrevivência, o gosto pelo brincar, a necessidade de interagir, a curiosidade para novas descobertas, entre outras. (BARBOSA, 2009)

           Os eixos para a Educação Infantil na Rede Municipal de Curitiba reafirmam o que está disposto nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, enfatizando que cuidar e educar são ações indissociáveis e base de sustentação processo educacional da criança nessa primeira fase de vida, com peso e importância vitais para a formação humana.

          O profissional da educação infantil vem, ao longo da sua trajetória, experimentando diferentes exigências em relação à sua atuação. Tais exigências vêm sendo feitas em função da origem e determinação social das instituições de atendimento infantil e das transformações históricas nas sociedades que, por sua vez, provocaram mudanças nas concepções de infância e de Educação Infantil.

         De acordo com o artigo 8º da Resolução 05/2009 a proposta pedagógica das instituições de Educação infantil tem como objetivo garantir a criança o acesso a processos de apropriação, renovação e articulação de conhecimentos e aprendizagens de diferentes linguagens, assim como o direito à proteção, à saúde, à liberdade, à confiança, ao respeito, à dignidade, à brincadeira, à convivência e à interação com outras crianças.

          Nesta etapa do crescimento, brincar é fundamental para a criança, pois esta é uma das principais formas de interação com outras crianças e onde ocorrem diversos tipos de aprendizagem. As fontes do conhecimento infantil são múltiplas, mas é no ato de brincar que a criança, de forma privilegiada, apropria-se da realidade imediata, atribuindo-lhe significado. As brincadeiras permitem que a criança desenvolva imaginação, afetos, competências cognitivas e interativas, à medida que tem a oportunidade de vivenciar diferentes papéis.

          Brincando, as crianças constroem seu próprio mundo, ressignificam e reelaboram os acontecimentos que deram origem a vivências e sentimentos.

          A brincadeira, como eixo da proposta educativa, é um conceito bastante utilizado Friedrich Froebel (Alemanha, 1782-1852), criador do jardim de infância, defendia o uso pedagógico de jogos e brinquedos organizados e sutilmente dirigidos pelo professor. Durante as décadas subsequentes, vários educadores alertaram para a importância do lúdico na Educação.

          Brincar favorece a autoestima da criança e a interação com seus pares, propiciando situações de aprendizagem que desafiam suas capacidades cognitivas. Por meio do jogo simbólico, elas aprendem a agir, têm a curiosidade estimulada, adquirem iniciativa e exercitam sua autonomia.
          A criança deve brincar em todos os espaços da escola, no entanto, é necessária sensibilidade por parte dos professores para acolherem suas iniciativas encontrando equilíbrio entre brincar junto com a criança e orientar a brincadeira. Estimular a exploração lúdica, onde a criança brinca livremente, descobre coisas novas, supera desafios, toma decisões, desenvolve e exercita suas capacidades – motoras, emocionais, cognitivas e interativas. Dispostos em cantos temáticos, os brinquedos estimulam a livre expressão da criança, permitindo a concretização do imaginário, o desenvolvimento da linguagem, a interação social e a estruturação da personalidade.

       De acordo com o parecer 20/2009 artigo 11º na transição para o Ensino Fundamental a proposta pedagógica deve prever formas de garantir a continuidade no processo de aprendizagem e desenvolvimento das crianças, respeitando as especificidades etárias, sem antecipação de conteúdos que serão trabalhados no Ensino Fundamental. Podem ser propostos projetos em que os alunos venham a conhecer os professores do 1° ano do Ciclo I, visita às salas de aula e atividades integradas, no sentido de criar atitudes positivas em face da mudança a ser enfrentada.

             A criança deve participar da realização de algo que significa uma mudança e do que significa esse momento em sua vida, contando também com a participação da família. É importante lembrar que a segurança para explorar um novo ambiente depende do vínculo afetivo. A interação e o diálogo facilitam a adaptação e o desenvolvimento afetivo, cognitivo e social.

             A avaliação na Educação Infantil acontece diariamente, por meio dos portfólios e pareceres descritivos semestrais, os professores realizam também o preenchimento de pautas de observação, assim os professores podem acompanhar o desenvolvimento de cada criança nas diversas áreas de formação humana, bem como, realizar as intervenções necessárias visando o desenvolvimento pleno das crianças.

           De acordo com Oliveira (2010), a avaliação ocorre através dessa observação sistemática de cada criança, das brincadeiras e interações das crianças no cotidiano, com a utilização de múltiplos registros realizados por adultos e crianças (relatórios, fotografias, desenhos, álbuns, etc.), feita ao longo do período em muitos e diversificados momentos.

           

4.3.2 Educação Especial

            A Classe Especial (CE) é uma sala de aula na escola do ensino comum, organizada para ofertar atendimento educacional especializado, em caráter transitório, aos estudantes que apresentam deficiência intelectual. Tem por objetivo garantir o acesso aos conteúdos dos componentes curriculares que a escolarização deve proporcionar a todos.

         Para que possa ser matriculado nessa modalidade de ensino, o estudante precisa passar por uma Avaliação Diagnóstica Psicoeducacional e ter como resultado rebaixamento intelectual e indicativo para Classe Especial.

         A metodologia adotada deve priorizar a especificidade de cada aluno, baseando-se na interação dos mesmos em atividades motivadoras, significativas e prazerosas, incutindo-lhes o desejo de busca e pesquisa, superando obstáculos prejudiciais à assimilação de requisitos básicos à aprendizagem.

        O programa da Classe especial tem como objetivos:

  • Possibilitar o acesso e a permanência na escola de crianças e jovens com necessidades especiais, garantindo aos mesmos a apropriação ativa e crítica do conhecimento científico.
  • Possibilitar o desenvolvimento global das potencialidades do estudante, atendendo aos princípios gerais da Política Nacional de Educação Especial, em consonância com as Diretrizes Curriculares Para a Educação Municipal de Curitiba.
  • Garantir o acesso aos conteúdos básicos que a escolarização deve proporcionar a todos, distinguindo-se por oferecer atendimento de caráter transitório.
  • Assegurar a igualdade de oportunidades aos estudantes, de forma a promover a sua inserção gradativa nas classes comuns do Ensino Regular, de maneira efetiva.

 

           A Educação Especial no município de Curitiba busca uma escola de qualidade, subsidiando as condições de acesso, participação e aprendizagem das crianças e estudantes concebendo a escola como espaço que reconhece e valoriza as diferenças com condições de oportunidades a todos.

4.3.3 Ensino Fundamental

          De acordo com o disposto na Lei n° 9394/06 (LDBEN) e com a Deliberação 03/06 (CEE), o Ensino Fundamental passa a ser de nove anos, obrigatórios, com matrícula a partir dos seis anos de idade, de modo há assegurar um tempo mais longo de convívio escolar. O Ensino Fundamental ampliado deve ser oferecido com propostas pedagógicas que contemplem nova organização de conteúdos, das práticas de sala de aula e no emprego do tempo escolar.

          A educação é o processo que visa aprofundar e analisar questões pertinentes a sua comunidade, instrumentalizando o cidadão a promover mudanças significativas e positivas em seu meio, levando-o a posicionar-se coletiva e individualmente com responsabilidade sobre os bens naturais existentes, e auxiliando no desenvolvimento de pessoas e da sociedade como um todo.

          Nossa instituição tem como referencial de qualidade para as suas ações coletivas as Diretrizes Curriculares para a Educação Municipal de Curitiba, em consonância com a Lei n° 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional.  De acordo com o nosso Regimento Escolar “a Escola Municipal, pública e gratuita, é direito da população e dever do poder público, esta a serviço das necessidades e características do desenvolvimento e da aprendizagem dos seus estudantes, independentemente de sexo, raça, cor, situação econômica, credo religioso e político”.

           De acordo com os princípios fundamentais da Constituição Federal e Estadual, da Lei Orgânica do Município e LDB a escola oferecerá aos seus educandos:

  1. Igualdade de condições para o acesso e permanência do aluno na escola.
  2.  Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber.
  3.  Pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas.
  4. Respeito à liberdade e apreço à tolerância.
  5. Gratuidade de ensino em escola mantida pelo poder publico municipal com isenção de taxas.
  6. Valorização dos profissionais do ensina, garantida na forma da lei.
  7. Gestão democrática e colegiada no ensino público municipal, na forma da lei.
  8. Padrão de qualidade de ensino.
  9. Valorização de experiência extraescolar.
  10. Vinculação entre educação escolar, o trabalho e práticas sociais.

 

4.3.4 Educação Integral

     A Educação em Tempo Integral compreende a ampliação do tempo de permanência dos estudantes na escola, com a realização de práticas educativas que possam favorecer sua aprendizagem, bem como desenvolver as competências inerentes ao exercício da cidadania.

     A ampliação do tempo escolar implica uma diversidade de propostas que envolvem artes, esporte, lazer, cultura, conteúdos pedagógicos e científicos desenvolvidos em espaços distintos, proporcionando aos estudantes experiências que promovem a interação entre todos da comunidade escolar.

     A organização do tempo ampliado se dá por meio de cinco práticas educativas são elas: Prática de Acompanhamento Pedagógico, que deve ocorrer durante uma hora diária pelo menos quatro vezes por semana, e outro quando serão desenvolvidas Prática de Movimento e de Iniciação Desportiva, Práticas Artísticas, Prática de Ciência e Tecnologias e Práticas de Educação Ambiental, que deverão ter duração de duas horas, pelo menos uma vez por semana.

      O tempo na escola integral abre um leque maior de possibilidades para desenvolver o mesmo conteúdo de várias maneiras, de forma mais aprofundada, buscando e valorizando a prática, a experimentação e o movimento.

     Com relação à avaliação nas Práticas Educativas não existe um modelo de instrumento único, cada professor tem a autonomia de escolher a melhor forma de avaliar seus estudantes. Em relação ao registro do processo avaliativo, seguimos a orientação da gerência e fazemos uso do Portfólio e do Parecer Descritivo contendo o desempenho do estudante, trimestralmente, em cada Prática Educativa.

5. Bases norteadoras para a organização e desenvolvimento do trabalho educativo

         Os diferentes tempos biológicos e culturais – os ritmos da natureza e da vida cotidiana – interferem nos processos de aprendizagem e nas vivências dos seres humanos. O tempo escolar propicia aos estudantes desenvolvimentos e aprendizagens significativas para a vida toda. “É preciso considerar os estudantes em suas especificidades e potencialidades, desenvolvendo ações e espaços que os tenham como centro da organização do processo pedagógico, no qual as suas vivências, experiências, saberes e valores sejam contemplados. Isso implica em reorganização da escola levando em conta os tempos da vida, das aprendizagens, dos fazeres e das construções dos estudantes” (Diretrizes Curriculares, 2006).

          Cabe ao professor desenvolver práticas educacionais dinâmicas e contextualizadas que desenvolvam estratégias tais como atenção, percepção, memória, pensamento, imaginação e capacidade de aprendizagem, potencializando a aprendizagem.

        Toda a intenção da escola quanto ao processo de aprendizagem do estudante revela-se na organização do seu currículo, que deve articular o conhecimento dentro das diferentes áreas do conhecimento, num processo dinâmico de construção de saberes. Para isso, é preciso organizar os conteúdos curriculares de forma ampla, privilegiando não apenas conteúdos conceituais (fatos e conceitos), como também os procedimentais e os atitudinais (valores e normas).

        Os fatos e conceitos estão presentes em todo conhecimento, auxiliando na categorização e organização da realidade, dando sentido a tudo, a partir de conhecimentos prévios, significativamente. Nem a memorização nem a simples compreensão de conceitos são suficientes ao entendimento dos conteúdos, é preciso um entrelaçamento da rede de conceitos, com uma significativa interpretação e compreensão, para se estabelecerem novas aprendizagens.

         Procedimento não é metodologia, recurso ou atividades que levem à aprendizagem, mas sim uma forma de pensar e produzir conhecimento, que possibilita descobrir, interpretar, observar, identificar, representar, comparar, rever, refletir e analisar que caminho seguir.

         Por atitude se entende explicar e compreender os comportamentos humanos, influenciados por determinantes sociais, como crenças, hábitos, valores e normas. “No interior da escola, o processo socializador das dinâmicas interativas dos estudantes gera um cenário próprio para o surgimento de várias e diferentes atitudes relativas ao conhecimento, ao professor, aos colegas, às disciplinas, às tarefas, à sociedade” (Diretrizes Curriculares, 2006).

  1. Currículo do Ensino Fundamental

       O Currículo do Ensino Fundamental foi produzido atendendo as nossas necessidades de uma maior definição dos conteúdos, objetivos de aprendizagem e critérios de avaliação a serem trabalhados em cada ano do ciclo. Destacamos que a opção pelo trabalho com os conteúdos por ano se insere numa perspectiva integradora do conhecimento. A escola utilizará o Currículo do Ensino Fundamental da Secretaria Municipal da Educação de Curitiba conforme documento "ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO".

       O Currículo está organizado de acordo com as Diretrizes Curriculares para a Educação Municipal de Curitiba, em consonância com o que propõem as Diretrizes Curriculares Nacionais, assegurando aos estudantes formação comum indispensável para o exercício da cidadania, atendendo às características sociais, culturais e econômicas da clientela, fornecendo-lhes meios para progredirem no trabalho e em estudos posteriores. Tem caráter flexível, podendo ser (re) avaliado, (re) alimentado e reformulado sempre que se fizer necessário.

       A perspectiva de trabalho em ciclos de aprendizagem considera a necessidade de retomar determinados conhecimentos que não foram assimilados pelos estudantes em outros anos ao longo do processo pedagógico. Dessa forma o planejamento do ensino e o plano das aulas serão retomados constantemente tendo em vista às aprendizagens efetivadas e as que estão em processo. Nesse sentido, currículo, planejamento e avaliação são elementos indissociáveis do trabalho pedagógico.

      A Educação, na fase inicial de alfabetização deve promover a integração entre os aspectos físicos, emocionais, afetivos, cognitivos e sociais da criança. Nesta faixa etária a criança necessita de brincadeiras que possibilitem a exploração e a descoberta, além do afeto, interação e estimulação ao conhecimento e “leitura” do mundo no qual está inserida.

      Além de a educação promover a construção das estruturas cognitivas; isto é, a capacidade de generalizar, recordar, formar conceitos e raciocinar logicamente, ela deve enfatizar a construção de conhecimentos num processo de aprendizagem correlacionados com as estruturas cognitivas, por isso a importância de estimular com experiências prazerosas o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças.

          Não basta ser alfabetizado, mas é preciso ser letrado. Ser letrado é viver na condição ou estado de quem sabe ler e escrever. Letramento é o estado ou condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como consequência de ter-se apropriado da escrita e de suas práticas sociais.

          Ser letrado vai além de ser alfabetizado, de saber ler e escrever. É exercer as práticas sociais da leitura e da escrita, articulando e conjugando com as práticas sociais de interação oral. Aprender a ler e a escrever é diferente de ter-se apropriado da escrita, de considerá-la como sua propriedade. Alfabetizar e letrar são ações distintas, que não devem acontecer de forma dissociada, é necessário alfabetizar letrando, ou seja, ensinar a ler e a escrever dentro de um contexto onde a escrita e a leitura tenham sentido e façam parte da vida do estudante. Para entrar no universo do letramento, o estudante precisa apropriar-se do hábito de ler jornais e revistas, frequentar livrarias e bibliotecas, conviver efetivamente com a leitura, para dominar a prática social da escrita.

        O currículo da escola com jornada ampliada sistematiza uma rotina de nove horas diárias e articula as áreas do conhecimento e os saberes escolares às práticas voltadas à leitura e escrita, à arte, ao esporte, ao lazer, à cultura, à experimentação científica e ao uso das tecnologias. A ampliação da jornada escolar é uma estratégia que visa à qualificação das atividades pedagógicas, a partir da integralidade do trabalho educativo que concebe a escola enquanto espaço de formação humana.

       A intencionalidade do trabalho educativo desenvolvido nas Práticas do Acompanhamento Pedagógico, Práticas Artísticas, Práticas do Movimento e Iniciação Desportiva, Práticas de Educação Ambiental e Práticas de Ciência e Tecnologias, consideram a importância da ludicidade em seu encaminhamento metodológico, resguardando as especificidades em relação à concepção do trabalho.

          Nesse sentido, o espaço escolar não é neutro e deve ser planejado e reorganizado enquanto flexibilizador do trabalho educativo. Pois, “a disposição dos materiais, os arranjos dos mobiliários, a estrutura planejada, a apresentação e a construção dos trabalhos das crianças e estudantes, refletem as concepções de ensino e aprendizagem” (CURITIBA 2015).

  1. Currículo da Educação Infantil

      Pautados no Parecer do Conselho Nacional de Educação 20/2009, entende-se que o currículo da educação infantil é o conjunto de práticas que buscam articular as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, científico e tecnológico e, portanto, segue as diretrizes curriculares nacionais e as orientações curriculares ara a educação infantil do município.

  1. Educação de Relações Étnico-Raciais e ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana e Indígena

 

        Legislações específicas foram criadas para estabelecer a efetivação do direito à diversidade, à justiça social, à inclusão e ao respeito aos direitos humanos, como elementos essenciais na formação dos/das estudantes, como segue:

• Lei Federal 10639/03, que inclui no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”.

• Lei Federal 11645/08, inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.

• Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura afro-brasileira e africana.

        Esses temas são trabalhados ao longo do ano, por meio de sequências didáticas, projetos, exposições de trabalhos, entre outros. Todos os profissionais da escola devem desenvolver o trabalho com esses temas, respeitando sempre a faixa etária de seus estudantes.  

     De acordo com a solicitação da deliberação do CEE/PR no 04/06 e da Lei nº 10.639 instituiu-se na escola a Comissão Local de Educação e direitos Humanos que tem como função orientar os demais profissionais da escola com relação às ações que devem ser desenvolvidas para a realização do trabalho com essa temática.

  1. Projetos e Programas

 

        A escola está fazendo parte do Projeto Equidade desde o ano de 2014, este projeto visa à melhoria do ensino e das condições de aprendizagem para os estudantes.

       Dentre várias iniciativas propostas pelo Programa Equidade, está o Apoio Pedagógico em Contra Turno, que tem como objetivo garantir a aprendizagem efetiva para todos os estudantes, que passaram para o ano seguinte com P.A. (progressão com apoio), ou retido, bem como, os que apresentaram dificuldades significativas nas avaliações diagnósticas dos componentes curriculares de Língua Portuguesa e/ou Matemática.

      Atendemos também estudantes que em seu histórico apresentam padrão de desempenho abaixo do básico na apropriação de conteúdos em seu processo de aprendizagem, faz-se necessário o atendimento em apoio pedagógico de contra turno como um projeto de recuperação de estudos na escola.

           Os grupos foram formados a partir dos dados obtidos no Conselho Final de 2015, critérios sugeridos em 2014 nos componentes de língua portuguesa e matemática para indicação ao apoio pedagógico e as avaliações diagnósticas realizadas logo ao início do ano letivo de 2016.

        Após levantamento dos estudantes que farão parte do apoio escolar, seguindo todos os critérios pré-estabelecidos e confirmação dos mesmos com o termo de ciência por parte dos responsáveis legais. As professoras regentes preencherão a ficha inicial com dados de cada estudante em relação às dificuldades apresentadas nos componentes curriculares de Língua Portuguesa e/ou Matemática.

       As atividades serão planejadas e registradas em diário de classe a partir dos dados e se darão através de jogos didáticos, meios multimídias, leitura, escrita, reescrita bem como, dinâmicas em grupo e/ou individuais que atendam às necessidades relatadas pelo professor regente no PAPI e observadas pelo profissional no decorrer apoio pedagógico.   Será intensificando o grau de dificuldade de acordo com os objetivos acima citados e avanços apresentados nestes, respeitando o ciclo e nível tendo registro destes avanços no seu portfólio. Retomando sempre que necessário e/ou mudando as estratégias para alcançá-los.

      A profissional designada para o apoio elaborará atividades e estratégias com os recursos citados acima se pautando nos conteúdos, objetivos de cada ciclo. O encaminhamento será em grupo atendendo as especificidades de cada estudante no decorrer de cada proposta apresentada. O registro escrito será efetivado assim que o aluno apresentar domínio do que está sendo proposto e ao final de cada aula, o professor estará registrando na ficha do PAPI as suas estratégias e avanços do estudante.

      A escola desenvolve ainda os projetos de Flauta doce, Ler e Pensar, CPP (Conhecer Para Prevenir), Um por todos, todos por um, Xadrez, e o Jornal Eletrônico Escolar Extra, Extra!

  1. Avaliação da Aprendizagem

          A avaliação acontece naturalmente no dia-a-dia da escola, possui um caráter intencional, sistemático e acontece de diversas formas. Avaliação formal é a realizada através de instrumentos específicos e a informal é aquela que acontece diariamente, onde o estudante mostra ao professor o que já aprendeu, pela interação, em diferentes momentos, em sala de aula. Ambas acontecem na escola, sendo que devem ser conduzidas com clareza de critérios e objetivos, ética e coerência.

        A avaliação visa ajudar o estudante a se desenvolver, encorajá-lo a superar suas dificuldades, e mostrar ao professor o que ainda deve ser feito e esclarecer o que deve ser retomado. Deve ser empregada adequadamente, com flexibilidade, sem caráter punitivo, beneficiará a aprendizagem do estudante.

5.5.1 Concepção de avaliação numa perspectiva de inclusão (todos podem aprender)

          A concepção de avaliação leva em conta que essa não pode expor o estudante a situações constrangedoras e deve ser usada para contribuir para a aprendizagem do memo. Sua função primordial é conhecer o estudante, reconhecer o que já aprendeu, de forma a realimentar constantemente seu planejamento. É uma grande aliada, se usada corretamente, pois servirá para promover a aprendizagem do estudante.

          Outro papel importante da avaliação é averiguar como o trabalho se desenvolveu e verificar a atuação dos professores e de todos os profissionais que atuam na escola. “Essa avaliação que promove a aprendizagem do aluno e do professor e o desenvolvimento da escola é denominada de formativa, em oposição à avaliação tradicional, que visa à aprovação e reprovação, à atribuição de notas, e que se vale quase exclusivamente da prova” (VILLAS BOAS, 2005).

          Para que essa forma de avaliação fixe bases sólidas na escola, é preciso que ocorram mudanças de atitudes por parte dos docentes. Nessa perspectiva o erro do aluno deve ser utilizado como informação diagnóstica e precisa ser usado em favor da aprendizagem individual do aluno. Essa forma de avaliação pode abrir espaço para que o aluno também seja agente de sua evolução, onde pode participar da definição de critérios de avaliação, o que permite que visualize onde está em termos de aprendizagem e o que se espera dele, levando-se em conta faixa etária e nível de desenvolvimento.

5.5.2 Processo de Avaliação adotado na Escola

       Quanto ao procedimento de registro da informação do rendimento escolar dos/as estudantes informamos que o Departamento de Ensino Fundamental está trabalhando na organização de uma proposta unificada para as escolas da RME de Curitiba.     

        Na Escola Municipal CEI Heitor de Alencar Furtado, promove-se a continuidade do processo educativo, por meio da ação pedagógica nos diferentes processos de aprendizagem, visando oportunizar que as dificuldades de aprendizagem do estudante sejam superadas no decorrer do ano/ ciclo. A avaliação é Descritiva, Diagnóstica, Cumulativa e Especializada.

       A Avaliação Descritiva e Diagnóstica destina-se a informar o desenvolvimento da aprendizagem do estudante, sendo contínua, sistemática e o seu registro se dá em pareceres, embasados nas produções dos estudantes registradas na Ficha Cumulativa. Favorece o diagnóstico constante, levando os profissionais envolvidos e a família à reflexão de novas ações. Ocorre de forma trimestral, cada professor elabora em parceria com seus pares do mesmo ano, as avaliações que fará com os estudantes, de modo a observar o rendimento de sua turma.

          A mesma ocorre da seguinte forma, não necessariamente obedecendo a esta hierarquia e a mesma frequência:

  • Autoavaliação: estudante/ turma/ professor/ atividades/ outros.
  • Conselho de Classe: participativo, envolvendo os profissionais que atuam no processo de aprendizagem do estudante.
  • Elaboração de Parecer individual, elencando seus avanços e progressos, possibilitando à família uma reflexão do mesmo.

          A avaliação Cumulativa consiste em um diagnóstico geral, resultante no final de cada ano letivo e de cada Ciclo, evidenciando-se através da avaliação descritiva. Traz um parecer globalizante sobre o desenvolvimento do educando, seus progressos e dificuldades, apontando diretrizes a serem tomadas no próximo ano.

          A avaliação deixa de ser classificatória e excludente para ser formativa e diagnóstica do ensino e aprendizagem, apontando as dificuldades e orientando as intervenções pedagógicas possíveis. Após o período de avaliação os professores e o setor pedagógico se reúnem para discutir estratégias para auxiliar o estudante na superação de suas dificuldades.

          Já a avaliação realizada pelo estabelecimento de ensino, deve acontecer de forma sistemática e contínua. Deverão estar contempladas as questões que a escola utiliza para avaliar o Ensino Fundamental. As propostas de realimentação serão respaldadas e aprovadas pelo Conselho de Escola, por meio de reuniões onde essas mudanças serão apresentadas e discutidas.

          Avaliação Especializada é a requerida pelos educadores e realizada por profissionais especializados, nos Centros Municipais de Atendimento Especializado (CMAE) ou outra instituição legalmente reconhecida é destinada aos alunos que necessitarem de apoio educativo especial ou individualizado, ocupando-se daqueles que exigem atenção mais demorada, ampla e profunda do que normalmente se faz necessário.

5.5.3 Processos de Regularização da Vida Escolar

         A Classificação do/a estudante em qualquer série/ano/etapa/ciclo/fase do ensino fundamental, exceto para 1ª série/ano, independente da escolaridade anterior, dar-se-á de acordo com o disposto na LDBEN n.9.394/96 Art. 24, inciso II, alíneas a, b, c, na Del. n. 09/01- CEE/PR Arts. 21, 22, 23 e 27, na Del. n. 05/2010- CEE/PR Art. 11.

       A Reclassificação do/a estudante dar-se-á de acordo com o disposto na LDBEN n. 9.394/96, Art. 23, parágrafo 1º e Art. 24, inciso V, alínea c e Del. n 09/01- CEE/PR- Art. 24 e 27 e Parecer n 721/07 – CEE/PR.

 5.5.4 Organização do Conselho de Classe

         As reuniões do Conselho de Classe ocorrem ao final de cada trimestre letivo, onde se objetiva verificar a situação de aprendizagem dos estudantes, com o intuito de fornecer novas diretrizes e encaminhamentos que se fizerem necessários, a partir da análise da produção do estudante em seu portfólio e cadernos, além de observação constante dos docentes.

       Participam deste momento os professores regentes e corregentes, a Equipe Pedagógica, um representante da Direção e, conforme disponibilidade, outros profissionais envolvidos no processo de aprendizagem da turma.

      Para facilitar a organização deste momento organizamos o Conselho de Classe em três momentos: o Pré Conselho, o Conselho e Pós-Conselho.

       No Pré Conselho a equipe pedagógica se reúne com os docentes em sua permanência e faz uma análise dos materiais dos estudantes, do planejamento do professor e do perfil da turma.

      No Conselho de Classe, reúnem-se os professores da turma, equipe pedagógica e um representante da equipe diretiva. Neste segundo momento damos ênfase aos estudantes que apresentam algum tipo de dificuldade de aprendizagem e juntos traçamos estratégias para auxiliá-lo a superá-las.

      Por fim, o Pós-Conselho consiste na efetivação dos encaminhamentos elencados no Conselho, bem como no repasse das dificuldades apresentadas pelo estudante à família. Essa comunicação é feita por meio de reuniões individuais entre os responsáveis pelo estudante, a professora e a equipe pedagógica a fim de estabelecer uma parceria com o objetivo de dar maior suporte a esse estudante.

      5.5.5 Instrumentos de Avaliação de Aprendizagem adotados pela Escola

        O Portfólio surge como instrumento que permite ao professor, à escola, ao aluno e à família acompanhar seu progresso e refletir sobre o andamento do seu trabalho. É um instrumento de estimulação do pensamento reflexivo, possibilitando a oportunidade para documentar, registrar e estruturar os procedimentos de aprendizagem. Consiste em uma coleção de atividades, selecionadas pelo professor e pelo aluno, que revela no transcorrer do ano, os diferentes aspectos do crescimento e do desenvolvimento de cada criança.

          O principal objetivo da confecção do Portfólio é encorajar o ensino centrado no estudante, pois auxilia a mesma a refletir sobre o seu trabalho, realizando assim, as relações marcantes entre os tópicos desenvolvidos no ensino e as próprias experiências, que se constituem nas bases da atividade intelectual e criativa. Necessariamente, os portfólios não precisam ser iguais para todos os alunos de uma mesma turma, visto a diversidade de ritmos e tempos de aprendizagem. A seleção passa por critérios estabelecidos para a sua montagem, como atividades significativas em todas as áreas do conhecimento, porém considerando a diversidade.

      Parte integrante do processo de ensino-aprendizagem, o apoio pedagógico é indispensável ao educando que se encontra com dificuldades nesse processo de aquisição. É realizado paralelamente, com professora específica para a função e também pelas professoras do Acompanhamento Pedagógico da Educação Integral.

     Para facilitar o acesso às informações e ao acompanhamento da evolução da aprendizagem dos estudantes, as professoras que atuam com o estudante realizam o preenchimento do Plano de Apoio Pedagógico Individualizado (PAPI), nele anotam todas as intervenções que realizadas com o estudante em busca de superar suas dificuldades, bem como os progressos obtidos pelo mesmo.

           Nossa escola conta ainda com o projeto de Apoio Pedagógico em Contraturno, o ingresso do estudante nesse programa é feito a partir da indicação da professora regente e corregente da turma, após análise de suas necessidades, juntamente com a Equipe Pedagógica.  O apoio pedagógico tem como foco as dificuldades do educando, sendo assim, precisa fazer uso de ações pedagógicas diferenciadas. A professora que trabalha nesse projeto faz uso de jogos e brincadeiras, materiais diversificados, netbooks, etc. Essas estratégias ajudam a elevar a autoestima do estudante, na medida em que, esse trabalho se diferencia do que já é realizado diariamente em sala de aula, mas sem desvincular do que a regente da sala está trabalhando e quais as necessidades específicas de cada estudante.

  1. Avaliação Institucional

        A avaliação institucional é um processo diagnóstico da instituição como um todo. Tendo como objetivo subsidiar a reflexão e o debate interno, com a participação dos docentes, discentes, equipes gestoras, funcionários, pais, mães, responsáveis e comunidade escolar.

          A avaliação institucional proposta a partir dos Parâmetros e Indicadores de Qualidade (PIQ) é um importante instrumento que oportuniza a comunidade escolar, refletir sobre diferentes questões da organização da escola, opinando, sugerindo, indicando e participando também do planejamento de ações educativas, tendo como objetivo o desenvolvimento da melhoria da instituição e da qualidade de ensino.      

  1. Referências

Lei Federal N° 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

Lei Federal N° 8069/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente.

 Lei Federal 11274/06 – Ensino Fundamental de 9 Anos.

 Lei Federal 10172/01 – Plano Nacional de Educação.

 Parecer 01/91 – Conselho Estadual da Educação.

 Deliberação 05/91 – Conselho Estadual da Educação.

 Deliberação N° 14/99 – Indicadores para elaboração da Proposta Pedagógica.

 Indicação N° 004/99/CEE – idem.

Deliberação N° 007/99 – CEE – Avaliação do Aproveitamento Escolar,     Recuperação de Estudos e Promoção de Alunos do Sistema Estadual de Ensino.

Resolução 03/05 – CNE/CEB – Normas Nacionais para ampliação do Ensino Fundamental para 9 Anos.

Parecer 06/05 – CNE/CEB – Normas Nacionais para ampliação do Ensino Fundamental.

 Parecer 11/00 –CNE/CEB – Diretrizes Curriculares Nacionais para EJA.

Resolução 01/00 – CNE/CEB – Diretrizes Curriculares Nacionais para EJA.

 Parecer 03/04 - CNE/CBE – Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-Raciais.

Parecer 02/98 CEB Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil.

Parecer 02/99 – CEB – Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil.

Parecer 20/09- Revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil.

  Resolução 01/99 – CEB – Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil.

Deliberação 09/01 – CEE – Matrícula e procedimentos para regularização da vida escolar.

Deliberação 02/05 – CEE – Normas e Princípios para Educação Infantil no Sistema de Ensino do Paraná.

Deliberação 04/06 – CEE- Normas Complementares às Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.

Deliberação 03/06 – CEE – Normas para Implantação do Ensino Fundamental de 9 anos no Sistema Estadual de Educação.

Diretrizes Curriculares para a Educação Municipal de Curitiba – 2006.

Caderno Pedagógico Educação Integral- Curitiba 2012

 Currículo do Ensino Fundamental: versão preliminar volumes I, II, III, IV e V – Curitiba 2016.

SERRANO Glória Perez. Educação em Valores – Como Educar para a Democracia, 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.

GANDIN, Danilo e GANDIN, Luís Armando. Temas para um Projeto Político-Pedagógico. Petrópolis: Vozes, 1999.

LOCH, Valdeci Valentim. Jeito de Avaliar: O Construtivismo e o Processo de Avaliação. Curitiba: Renascer, 1995.

HOFFMANN, Jussara. Avaliação na Pré-Escola: Um Olhar Sensível e Reflexivo sobre a Criança. Porto Alegre: Mediação, 1996.

PERRENOUD, Philippe. Pedagogia Diferenciada – Das Intenções à Ação. Porto Alegre: Artmed, 2000.

LIMA, Elvira Souza. Desenvolvimento e Aprendizagem na Escola: Aspectos Culturais, Neuropsicológicos e psicológicos. São Paulo: GEDH, 1997.

LIMA, Elvira Souza. Como a Criança Pequena se Desenvolve. São Paulo: GEDH, 2001.

LIMA, Elvira Souza. Conhecendo a Criança Pequena. São Paulo: GEDH, 2001.

ARROYO, Miguel G. Imagens Quebradas. Petrópolis: Vozes.

VILLAS BOAS, Benigna Maria de Freitas. Portfólio, Avaliação e Trabalho Pedagógico. 2ª ed. Campinas, SP: Papirus, 2004.

 

         

 

 

 

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